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Sinoreg-SP faz doação aos cartórios atingidos pela enchente em São Luiz do Paraitinga Entidade doou R$ 15 mil a cada um dos três cartórios atingidos e planeja novas iniciativas para auxiliar a reorganização do serviço extrajudicial na cidade. A tragédia que se abateu sobre a cidade de São Luiz do Paraitinga no último dia 1° de janeiro, que inundou o centro histórico do município e danificou as instalações, acervos, móveis e equipamentos dos cartórios de Registro Civil das Pessoas Naturais, Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica e Tabelionato de Notas e Protesto prontamente mobilizou a Direção do Sindicato dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo (Sinoreg-SP), que já encaminhou auxílio financeiro às respectivas cartorárias. Na semana passada, o Sinoreg-SP depositou na conta das Oficialas Maria Rita Monteiro de Barros, Ana Paula de Souza e Lara Lemucchi Cruz a quantia de R$ 15 mil para que dêem início ao processo de reconstrução de suas serventias. "Fizemos um aporte financeiro inicial para as colegas de São Luiz de Paraitinga comprarem materiais e contratarem pessoal para limpeza e mudança, se necessária, da sede de suas serventias", explica o presidente do Sindicato, Cláudio Marçal Freire. Por meio de sua gerência administrativa, coordenada por Clóvis Nascimento, o Sinoreg-SP já havia feito diversos contatos com as responsáveis pelos cartórios atingidos, colocando a entidade à disposição para o que fosse necessário, e que ao lado das demais associações, solicitaria o levantamento complemento da situação para reconstrução dos cartórios colaborando na aquisição dos móveis e equipamentos necessários e indispensáveis ao funcionamento das respectivas serventias.
Segundo o presidente da entidade, Cláudio Marçal Freire, "o Sinoreg-SP, independente das medidas que já foram adotadas, está estudando a possibilidade de fazer à doação mensal às mencionadas serventias, nos próximos três meses, das importâncias brutas médias que vinham auferindo nos últimos seis meses", indicou.
Para o presidente da entidade, a destruição causada pela inundação em São Luiz do Paraitinga motivou uma grande mobilização da categoria em prol dos cartórios atingidos. "Independentemente da condição associativa de cada um e da disposição pessoal dos colegas que puderam prestar diretamente a sua colaboração, o Sinoreg-SP decidiu colaborar imediatamente com os cartórios atingidos, entendendo que com essa atitude estaria representando a solidariedade da grande maioria dos notários e registradores do Estado, por ser a entidade que detêm mais de 1.040 filiados", explicou.
Desastre atinge cidade histórica de São Luiz do Paraitinga Afetados diretamente pelas enchentes, os três cartórios da cidade ficaram completamente submersos durante a enchente, que deixou um rastro de lama, sujeira e enorme mau cheiro em toda a história arquivada nas serventias de mais de um século da histórica cidade paulista. "Eu nunca vi coisa igual, perdi tudo", descrevia a Tabeliã de Notas e Protesto de São Luiz do Paraitinga, Ana Paula de Souza, há dois anos designada para responder pelo cartório. "Minha vida estava no cartório, em casa só tenho o sofá e roupas. Preferia ter perdido a casa do que o cartório. Não sei nem por onde começar", dizia a Oficiala de Registro Civil Lara Lemucchi Cruz, enquanto tentava salvar os livros que ainda não haviam sido dizimados pela mistura de água e lama. "Estou completando três meses no cartório, acabei de assumir. Investi tudo o que tinha aqui e agora tudo se perdeu, é chocante", completou Maria Rita Monteiro de Barros, Oficiala de Registro de Imóveis da cidade.
Durante a tarde, o governador do Estado de São Paulo, José Serra chegou a São Luiz do Paraitinga. Após olhar os estragos causados pela enchente na praça central e na igreja matriz, avançou pelas ruas do centro histórico, chegando ao cartório de Registro Civil. Em rápida conversa com a Oficiala, que apontou o estado dos livros e o que seria feito, o governador decretou. "Está autorizado a levar isso (o acervo do cartório) já. Inclusive, o mais rápido possível, pois vai chover de novo", pontuou. Tabelionato de Notas e Protesto O cheiro de carne estragada e alimento deteriorado pela exposição contaminava cada vez mais o ar na rua onde o cartório está instalado. Escavadeiras, tratores e máquinas amassavam o que eram camas, estantes, sofás. Desolada, Ana Paula contava que nos dois últimos anos o cartório havia se tornado sua vida. "Cada arquivo, cada livro foi cuidado, organizado, fichas foram plastificadas, tudo feito com muito carinho e que foi simplesmente varrido". O Registro de Imóveis está localizado no mesmo prédio onde situa-se o Tabelionato de Notas e Protesto e ocupa três cômodos contíguos ladeados por um corredor que transbordava lama e sujeira. A situação dentro do cartório não era diferente dos demais. Livros levados pela correnteza estavam no chão, cobertos pela lama. Matrículas, mesmo as plastificadas estavam encharcadas. O arquivo inteiro derrubado no chão ou com papéis colados no teto. "Muitos colegas estão me ligando, alguns ajudarão com doações, mas espero que a ajuda chegue logo, antes que eu perca meus livros e minhas matrículas", disse. |
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